Não devemos chorar pelo Irã? Eis a encruzilhada que vai nos provar se nos transformamos ou não em monstros!
Por Gilvaldo Quinzeiro
Podemos até “não chorar pelo Irã”, tal como sugere o título de um editorial do O Estado de São Paulo, na data do dia 28 de fevereiro, no início dos bombardeios dos Estados Unidos ao país persa, o que já revelaria por si só o quanto nós nos transformamos numa sofisticada fábrica para demonização dos outros, os outros que também somos. Contudo, se ainda nos resta alguma coisa em nós que nos lembre que ainda pertencemos à humanidade – deveríamos estar chorando por todos nós!
Este referido editorial me chocou muito! Não por pertencer a linha editorial de um dos principais jornais do Brasil, o mesmo que em outros tempos muito parecido com os de hoje, fez também um outro editorial enaltecendo a Hitler, mas por saber que grande parte dos brasileiros pensam assim. E pasme, os mesmos que por sua formação teológica e outras que tais, jamais deveriam assumir este tipo de pensamento?
Pois bem, a guerra entre Estados Unidos/Israel vs Irã, completa hoje 9 dias. E se olharmos não para a capacidade bélica de ambos, mas para o ímpeto belicoso, que toma de conta das mentes e dos corações, ímpeto este, que, na falta de armamentos reais, se recorrerá aos próprios intestinos, onde até um peido pode se tornar na arma, que mata, ou seja, nestas condições, no mínimo deveríamos sentir inveja dos insetos, pois, do contrário, perdemos todos os vínculos com as condições criadoras de vida e de afetos – sinal de que na atual encruzilhada a humanidade, que já vinha nos escapando, ruiu, e o monstro aflorou vertiginoso!
Essa guerra, portanto, nos ensinará mais do que com quantas pedras se ergue um Templo, uma Sinagoga ou uma Mesquita, mas sobretudo, a drástica e necessária lição do que valem tais construções, se se por causas de uma destas, destruiremos todas e quaisquer possibilidades de vivermos sem nenhuma delas! Disso os insetos, com toda certeza, não matarão ou morrerão, conquanto a cada instante estão cada vez próximos da mão esmagadora do homem. Amém?
