Narciso atualizado é peixe fora d’água: a tragédia contemporânea
Por Gilvaldo Quinzeiro
Compreender o sujeito na contemporaneidade, na contemporaneidade, que edifica o sujeito apenas pelo que deste se diz, e só se diz na condição de que nada se fixa -, somente revisitando as águas primordiais arquetípicas!
Se hoje as águas nas quais navegamos nos permite ser tudo, menos banhar ou pertencer às águas, isso implica dizer de outro modo que Narciso naquilo em que hoje se afoga, não mais lhe reflete, apenas trinca o espelho banhado por um imenso deserto!
Em outras palavras, o Narciso de hoje não se afoga, porque é peixe preso nas inúmeras redes estendidas antes mesmo que este perceba sua imagem no fundo das águas.
Ora, longe das águas, o que restou para o sujeito hoje, senão se apoderar do “ego” do peixe nadando em luxuosos aquários cujos visitantes retornam aos seus lares conscientes da sua inveja!
Portanto, há uma realidade, que a todos nos afunda, qual seja, os oceanos das nossas feridas expostas! Ou seja, esta é a atualização da tragédia vivida por Narciso, isto é, não ser mais acolhido nem mesmo pelas águas!
