Nepal
Por Gilvaldo Quinzeiro
1.Uma conquista não é necessariamente do tamanho de uma montanha, tampouco uma montanha significa, por si só, uma conquista.
2.A escalada é diária, mesmo quando somos forçados a enfrentar as mais turbulentas descidas.
3 .E, em nossos piores momentos, aquilo a que nos agarramos é feito da mesma matéria que nos soterra.
4.Alcançar o cume não significa desvendar os abismos da montanha — ainda que sejam essas profundezas a morada ancestral dos deuses.
5.A tragédia do Nepal nos obriga a valorizar cada fôlego e cada segundo do nosso percurso, confrontando a dolorosa constatação de tanto tempo desperdiçado.
6.O tempo perdido é aquele em que estamos ausentes de nós mesmos, desprovidos do espírito de presença.
7.Eis o que também nos soterra: a recusa ao diálogo com a terra e com as pedras, tenham elas a dimensão que tiverem.
8.Ignorar o aviso das rochas é a certeza cega de que não escutaremos os sinais silenciosos das próximas tragédias.
