Cultura, saberes ancestrais e economia criativa marcam o 3º Festival do Babaçu em Caxias

Entre os dias 18 e 19 de setembro de 2026, o município de Caxias sediou o 3º Festival do Babaçu de Caxias e Região dos Cocais. Sob o tema “Do babaçual vem a vida, da quebradeira de coco vem a força”, o evento celebrou o protagonismo das comunidades tradicionais, a preservação do meio ambiente e o potencial econômico do coco babaçu em dois pontos marcantes da cidade: o Auditório da FACEMA e o Mirante da Balaiada / Rua das Sombrinhas, no Morro do Alecrim.  

A iniciativa foi promovida para fortalecer a autonomia feminina e o desenvolvimento territorial, contando com o apoio de entidades como o Instituto Gran Cocais, a Associação dos Artesãos de Caxias, o SENAR, o SEBRAE e a Prefeitura Municipal de Caxias.   

Abertura e debates sobre direitos territoriais e autonomia econômica

A programação teve início na manhã de sexta-feira (18), no Auditório da FACEMA, reunindo delegações locais e regionais no Encontro Regional das Quebradeiras de Coco. A mesa de abertura institucional contou com diálogos voltados aos direitos das comunidades tradicionais.   

Entre os destaques teóricos da jornada, esteve o painel do Desembargador José de Ribamar Froz Sobrinho, que abordou a atuação do TJMA na regularização fundiária e tutela de direitos territoriais quilombolas. Na sequência, a palestra magna ministrada por Nelinha do Babaçu (Cornélia Rodrigues) debateu a cadeia produtiva e o fortalecimento econômico das quebradeiras.   

No período da tarde, a roda de conversa "Mulheres que Transformam: Saberes, Trabalho e Desenvolvimento Econômico das Quebradeiras de Coco" reuniu lideranças como Francyane Barradas (CEO do Instituto Educacional Grã Cocais e Secretária Adjunta de Direitos Humanos), Neta Pinheiro (Presidente da Associação dos Artesãos), Tayane Duarte (Presidente da Comissão de Mulheres do Agro de Caxias / SENAR) e Luciana Soares (Secretária Municipal de Atividades Produtivas e Inspeção Animal), com mediação de Jeverson Brito.   

"O evento deste ano foi pensado na expectativa de colocar essas meninas, essas quebradeiras de coco, ainda mais em evidência. Conseguimos palestras para potencializar o conhecimento sobre regularização fundiária, direitos territoriais e economia criativa", ressaltou Neta Pinheiro, presidente da Associação dos Artesãos de Caxias.

Feira de artesanato e noite de ritmos no Mirante da Balaiada

A partir das 18h de sexta-feira, o movimento concentrou-se no Mirante da Balaiada com a abertura da Feira do Babaçu Criativo e Sustentável. O espaço reuniu artesãos, autônomos e pequenos produtores para a comercialização de artigos diversos.   

Entre os expositores, a movimentação superou as expectativas. A artesã Beatriz Dias celebrou o acolhimento do público no primeiro dia, enquanto a artesã Beatriz Freitas apresentou chaveiros temáticos colecionáveis e a empreendedora Raimundo Nonata levou iguarias artesanais como beiju de coco, broas e bolos regionais.   

A noite foi animada por manifestações culturais:   

Apresentação das Marias Babaçu;   

Show com As Madames do Reggae;   

Danças folclóricas com o Carimbó Flor do Mar, Carimbó Flor da Idade (Centro de Convivência do Salobro), Carimbó Roda de Saia (povoado Mulatas) e a Dança do Lili;   

Encerramento musical com a cantora Ariely Rodrigues.   


Sábado de competição, alta gastronomia e desfile de moda autoral

O segundo dia de programação (19), realizado no Mirante da Balaiada e na tradicional Rua das Sombrinhas, colocou os saberes práticos e a gastronomia no centro das atenções.   

Um dos momentos mais aguardados foi o Campeonato de Quebradeiras de Coco, competição que premiou a agilidade e a tradição ancestral das mulheres do campo. A vencedora, Maria Francisca, comemorou o reconhecimento:   

"Fui criada quebrando coco, desde pequena. Eu tiro 50 kg de azeite por semana. Gostei de vencer o concurso e espero que continuem valorizando as quebradeiras de coco."

Simultaneamente, o concurso e espaço de Gastronomia Ancestral apresentou receitas inovadoras feitas com derivados do babassu, incluindo torta de sorvete de mesocarpo, broa de tapioca no azeite de babaçu, camarão no coco babaçu e brigadeiro de mesocarpo. Cosméticos artesanais como sabões e sabonetes de azeite de coco também integraram o portfólio de produtos exibidos.   

Ao cair da tarde, o público acompanhou o desfile Miss Babaçu 2026, focado em moda autoral, seguido pela cerimônia de premiações e homenagens aos participantes. O encerramento oficial do festival deu-se com o show do cantor Jefferson Costa e Banda.   


Espaços temáticos e fortalecimento da comunidade

Durante os dois dias de festival, a estrutura contou com diversos ambientes integrados:   

Espaço Conexão Criativa (SEBRAE);   

Espaço Sustentável da Agricultura Familiar (Secretaria de Atividades Produtivas / SENAR);   

Espaço Institucional (IFMA - UFPI) e Espaço Literário;   

Espaço de Economia Criativa e Solidária;   

SENAR em Ação – Vitrine de Oportunidades.   

Para Francyane Barradas, do Instituto Gran Cocais, a expansão do festival reforça a transformação social do território: "O nosso objetivo é mostrar que elas conseguem gerar renda através do saber ancestral, fazendo com que a economia aconteça dentro da própria comunidade".  







Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem