O mandamento adverte: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão”. Mas como não fazê-lo em uma época em que colocamos tantas coisas no lugar do Sagrado?
Nenhuma outra palavra perdeu tanto o seu verdadeiro sentido — mesmo quando usada para justificar graças e conquistas — quanto o nome de Deus. Essa banalização cobra um preço alto: a coisificação da nossa fé e de nossas preces.
Oramos para acumular coisas. E, quanto mais bens materiais acumulamos, mais nos desumanizamos. É sobre essa lógica invertida que a sociedade contemporânea se ergue. Vemos isso na criança que já não consegue ser plenamente criança, seduzida por objetos de consumo que, uma vez em suas mãos, tornam-se mais importantes do que o próprio ato de brincar.
É verdade que há o chamado bíblico para “crescer e multiplicar”, mas transformar a vida em uma corrida desenfreada por posses — especialmente aquelas acumuladas apenas para ostentar riqueza — é a razão pela qual estamos arruinando o verdadeiro sentido da existência.
A palavra prosperidade, da maneira como é pregada e vendida hoje, tornou-se o maior símbolo dessa decadência: um fetiche material que deveria constranger profundamente qualquer teologia que se pretenda autêntica.