A Autonomia das redes sociais e a Idiotização das pessoas

 Em conversa com um amigo, sobre a conjuntura política atual, chegamos a uma convicção que mesmo temerária, representa a realidade em que vivemos nua e crua. Nesse breve bate papo, entendemos que o reflexo central da sociedade digital é sem sombra de dúvidas o preço gritante da maximização da desinformação, possibilitando um novo perfil de tribo cada vez mais idiotizados.

Na Grécia Antiga, o idiotes era um cidadão que se abstinha da vida pública, voltado exclusivamente para seus próprio assuntos. Era particularmente alguém alienado da coletividade, incapaz de exercer plenamente seu papel político e social. 

Hoje entendo que a idiotização das pessoas, não é em hipótese alguma ausência de informações e sim o colapso do discernimento, permitindo fazer escolhas um tanto duvidosas. Vivemos um cenário onde os ruídos digitais, substitui o conteúdo, o viral suplanta o verdadeiro e o ego digital ocupa o lugar da reflexão.

O Brasil possuiu segundo dados da Anatel (2025) mais de 255 milhões de aparelhos celulares ativos e no entanto 29% da população adulta é analfabeta funcional: lê e não entende o que leu, só para que tenhamos uma ideia a média anual de leitura de um livro por parte de um brasileiro é de apenas 2,4 livros por pessoa. 

Vale ressaltar que o problema aqui não é o uso ou excesso de telas e sim a escassez de leitura profunda de pausa, digestão crítica e hermenêutica social. O fato é que, navegamos sem ancoragem, onde rolar o feed virou sinônimo de existêncialidade 

Estou demasiadamente preocupado com a conjuntura atual, percebendo que se legítima autoridade digitais, que são desprovidos basicamente de saberes, passando a ser valorizadas pelo mecanismo do engajamento. Vale lembrar que influenciadores sem o mínimo preparo de políticas públicas, ditam caminhos, encomendam medicamentos e vendem soluções simplistas para problemas complexos.

É bem verdade que de todo não há porque perder as utopias, sempre existirá pessoas que criam conteúdos de conhecimentos com o intuito de formar, educar e instigar a dúvida. O futuro sem sombra de dúvidas deverá ser moldado por esses novos mediadores do saber, compete a nós consumidores saber separar o joio do trigo. 



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