As eleições e a guerra híbrida em curso: o cerco psicológico às vésperas do voto?

 



A máxima popular de que o andor é de barro nunca fez tanto sentido: em um cenário de polarização extrema, a véspera da votação deste domingo exige serenidade – como a de São Francisco, além de discernimento e vigilância cívica. O que está em jogo vai além da escolha de nomes; trata-se da resiliência das instituições democráticas diante de táticas assimétricas de desestabilização.


Nos últimos dias, o clima transbordou da disputa programática para o terreno da “guerra religiosa”. Instituições basilares, a exemplo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tornaram-se alvos de ataques virulentos. Em publicações recentes, influenciadores extremistas — como Allan dos Santos — recorrem do escatológico a impropérios de baixo calão, revelando uma guerra suja disposta a violar qualquer espaço ético ou sagrado.


Essa ofensiva expõe que a extrema direita, longe de recuar, opera em escalada de tensão. Diante da perda de fôlego dos ataques sistemáticos à confiabilidade das urnas e do desgaste subsequente aos atos golpistas de 8 de janeiro, a tática migrou com força para o campo da guerra psicológica e da desinformação direcionada. O objetivo central de ações híbridas desse tipo é o desgaste anímico da sociedade, induzindo o medo, a paralisia, a confusão cognitiva e, sobretudo, a abstenção voluntária.


Acontecimentos recentes não podem ser lidos como meras coincidências de calendário. Incidentes atípicos de última hora, como o abrupto cancelamento do debate da Rede Globo, somados ao fechamento da Embaixada dos Estados Unido, no dia seguinte, no Brasil , pois, podem fazer parte de um clima artificial de conflagração. Por outro lado, esse cenário dialoga com advertências formais: relatórios da Abin já apontavam possíveis interferências externas no processo eleitoral. Precisamos, pois, estar atento ao olhar de Donald Trump nas nossas eleições.


O Brasil com sua imensa extensão territorial e cheio de riqueza, não pode se transformar num quintal de quem quer que seja!


E a melhor resposta à guerra cognitiva ou quaisquer outras guerras em curso continua sendo a presença maciça, lúcida e consciente nas urnas. Ou seja, o voto segue sendo a ferramenta mais contundente de nivelamento cívico: o pau de dá em Chico é o mesmo que dá em Francisco. Que assim seja!

Por Gilvaldo Quinzeiro

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