Três pessoas foram conduzidas à sede da Polícia Federal em Caxias (MA), na noite da última quarta-feira (30), para prestarem esclarecimentos sobre uma suspeita de compra de votos no povoado Santa Rita, zona rural de Afonso Cunha. A ação da Polícia Militar ocorreu após o recebimento de uma denúncia anônima relatando suposta movimentação de veículos para coação de eleitores e prática de ilícitos eleitorais na região.
Durante a fiscalização, os agentes abordaram um veículo Toyota Etios ocupado por Beatriz de Souza, Francisca Maria e Carlos Alberto. No interior do automóvel, foram localizados materiais promocionais de campanha de políticos da região, R$ 960 em espécie com uma das passageiras, celulares e duas notas fiscais de combustível emitidas em nome do ex-prefeito Arquimedes Américo Bacelar.
Entre os itens apreendidos, sobressaiu-se um caderno com anotações manuais que listava nomes de moradores de localidades rurais e da sede do município, seguidos por quantidades de votos e especificações de serviços e bens — tais como fretes, materiais de construção, consultas médicas e empregos. Parte das marcações trazia a indicação "ok". Segundo a Polícia Militar, o documento sugere a negociação de benefícios em troca de apoio político voltado a pleitos futuros.
Aos policiais, os ocupantes declararam que realizavam apenas atividades de panfletagem e pedido de votos para os candidatos representados no material impresso. Os três foram encaminhados à Polícia Federal para a instauração dos procedimentos cabíveis previstos no artigo 299 do Código Eleitoral (corrupção eleitoral). Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre o término dos depoimentos ou a manutenção da prisão dos envolvidos.
Outro lado
Procurado para manifestar-se sobre as citações e as notas de combustível encontradas no veículo, o ex-prefeito Arquimedes Bacelar rechaçou as acusações: “Não existe compra de votos, tenho total confiança no Poder Judiciário e na sua imparcialidade no julgamento”, declarou. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos três ocupantes do veículo até o fechamento desta edição, mas o espaço segue aberto para manifestações.